Como os pais devem lidar com a orientação sexual de seus filhos

 

 

   O que se fazem muitos pais e mães quando eventualmente descobrem que seu filho ou filha é homossexual? Meu filho é gay. E agora? A resposta é simples na teoria, mas será preciso esforço consciente para incorporá-la: e agora, o fato é que ele continua a ser seu filho. Nada mudou neste quesito e, acredite, fazer chantagem emocional ou discurso religioso não fará seu filho deixar de ser homossexual. No máximo, ele aprenderá a mentir para você, o que, convenhamos, sai completamente do projeto de um relacionamento familiar saudável.

 

A homossexualidade (atração sexual por pessoas do mesmo sexo) ainda provoca uma série de situações delicadas em diversas culturas, em muitas famílias e também em alguns homossexuais que se auto-rejeitam. Normalmente, os pais ficam assustados, desapontados e com raiva quando descobrem a orientação sexual * do seu filho por pessoas do mesmo sexo. Acredito que, neste momento, a melhor informação a ser passada é a de que a homossexualidade não é uma doença, tendo a OMS a excluído definitivamente da Classificação Internacional de Doenças (CID-l0). Muitos pais revoltam-se porque acham que o filho "virou", de uma hora para outra, sua orientação sexual. Não é bem assim. Da mesma forma que a maioria das pessoas cresce se sentindo atraída pelo sexo oposto, tal ocorre com aquelas que têm atração por indivíduos do mesmo sexo.

 

Atualmente, a expressão “orientação sexual” é usada no lugar de “preferência sexual”. Embora haja trabalhos sobre homossexualidade e genética, até agora não existem conclusões. Portanto, o melhor é aceitar e refletir que, no mundo inteiro, há homossexuais e bissexuais.

 

Muitos pais idealizam seus filhos, imaginando-os profissionais reconhecidos e criando uma idéia que nem sempre será correspondida. Um pai, muitas vezes, chora pela imagem perdida do filho, preocupando-se com o que os outros vão falar... Caso você seja um dos que sofrem pela orientação sexual de um filho e não esteja lidando bem com suas emoções, recomendo uma ajuda profissional, pois é bem provável que você tenha receios arraigados, sentimentos de vergonha, de culpa, e talvez até se sinta surpreso por perceber que não é liberal, como suspeitava. Muitos poderiam perguntar: “Devo levar meu filho a um psicólogo ou psiquiatra?”. Se sua intenção for a de mudá-lo, a resposta é não! Porém, se você acha que não está preparado para lidar com a descoberta da orientação sexual do seu filho e/ou se ele também está perdido em seu relacionamento com os pais, a resposta é sim! Nesses casos, a orientação de um terapeuta ajudará a todos.

 

    Lembre-se: muitos pais não conhecem seus filhos, e você pode estar começando a conhecê-los e as suas emoções. Após esse primeiro contato com a orientação sexual dos filhos, os pais ficam perdidos e experimentam uma série de emoções; porém, ao longo do tempo, a maioria acaba aceitando ou compreendendo que os homossexuais são pessoas e torna-se mais amiga e próxima do que antes. Acredite que, se para você, que é pai ou mãe, é difícil lidar com a orientação sexual do seu filho, para ele também é complicado conversar com os pais sobre o tema. O temor de ser rejeitado é grande e, muitas vezes, leva o homossexual a depressões. 

 

                           O olho de todas as virtudes é a prudência.

                                                                         Pitágoras

 

      E aqueles que se auto-rejeitam?

    Estas pessoas provavelmente possuem uma gama de pensamentos preestabelecidos, em que o homossexualismo é algo doentio, nocivo e vergonhoso. Temem, assim, a rejeição de sua família e da sociedade. Um homossexual nessas condições precisa de ajuda, pois vive em constante conflito e se escondendo. Assumir ou não é uma decisão sua; porém, nesses casos, uma proveitosa conversa com pessoas idôneas e boas e/ou um psicoterapeuta o ajudará muito a se assumir, a se sentir à vontade e a ter certeza de que é um indivíduo merecedor de respeito, como qualquer outro. Procure ler tudo sobre homossexualismo: verdades, crenças, tabus e outras informações. Colha dados de personalidades, depoimentos de pessoas que se assumiram; informe-se sobre suas dificuldades e vitórias.

 

      Penso que um jovem, quando conta sobre sua orientação sexual aos pais e obtém deles apoio, tira dos ombros um peso enorme; porém, nem sempre os fatos ocorrem assim. Algumas famílias não aceitam e rompem com o jovem que se assume. Portanto, antes de contar, o jovem deve certificar- se bem, pois a auto-rejeição pode potencializar-se se a família o rejeitar.

Caso seja difícil o contato com um psicoterapeuta, devem-se procurar grupos de apoio e centrais de informações especializadas.

 

               “A felicidade é qualquer coisa que depende mais de nós mesmos do que das       contingências e das eventualidades da vida”.

                                      Julio Dantas

 

 

 

Valdivino Alves, é Pedagogo, Psicanalista, Psicopedagogo Clínico e Institucional, Matemático, Contador, Bacharel em Direito, Mestrado em Psicologia Organizacional e Doutorado em Psicanálise Clínica. Consultor em Educação e em Recursos Humanos, Professor nos cursos de Pedagogia, Matemática, Ciências Contábeis e Administração, na modalidade presencial e EAD. Autor de 06 livros. Contato: E-Mail: valdivinoalves@hotmail.com   Site: www.valdivinoalves.com.br

 

 

 

 

 

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